Florestas

O principal risco para a floresta na RAM são os incêndios florestais que, nos últimos anos, têm atingido proporções catastróficas. O histórico recente é tão preocupante que, mesmo num cenário onde a vulnerabilidade futura não aumentasse, a necessidade de adotar medidas para a redução dos incêndios florestais continuaria a ser urgente, já que representam elevados danos.
No período de 2040 a 2069, verifica-se um aumento do risco meteorológico de incêndio na vertente sul, em ambos os cenários, com maior intensidade e expansão em altitude no cenário B2. Note-se que as zonas de maior aumento do risco de incêndio coincidem com as áreas de floresta plantada. Na vertente norte, é no cenário A2 que há um ligeiro aumento do risco meteorológico de incêndio florestal, nas zonas costeiras. No período de 2070 a 2099, as tendências invertem-se para a vertente sul, passando a ser no cenário A2 que se verifica um maior aumento do risco meteorológico de incêndio. Na vertente norte, o cenário B2 é onde se verifica uma maior área do crescente risco de incêndio, ainda que ligeiro, enquanto, no cenário A2, a área é menor em relação ao período anterior.
A vulnerabilidade da floresta a incêndios é condicionada pelas condições meteorológicas predominantes, o risco meteorológico de incêndio florestal e pelas condições estruturais das áreas florestais, em particular, o declive, o tipo de ocupação florestal e a continuidade ao nível da paisagem. Tanto a floresta Laurissilva, como a floresta plantada, encontram-se em áreas de acentuados declives, o que favorecem a propagação do fogo, dificultando o seu combate. Na vertente sul, onde predomina a floresta plantada, o clima é mais seco que na vertente norte, aumentando o risco de incêndios. Dadas estas condicionantes naturais e o histórico recente de incêndios florestais, a vulnerabilidade atual da floresta a incêndios é classificada como negativa.

O aumento do risco meteorológico de incêndio em todos os cenários futuros considerados aumenta a vulnerabilidade da floresta a incêndios, em particular da floresta plantada, para muito negativa no longo prazo.





De igual forma, a frequência e duração de dias consecutivos com risco de incêndio florestal muito elevado e crítico aumentam em todos os cenários climáticos futuros.

A vulnerabilidade atual da floresta natural a alterações de produtividade é neutra, dado que se encontra bem adaptada às condições climáticas atuais e às pressões exercidas pela ocupação humana, sendo o maior fator de risco os incêndios florestais. A vulnerabilidade futura da produtividade tende a diminuir, devido ao aumento estimado da produtividade primária líquida, pelo que se considera haver oportunidades a explorar. Quanto à distribuição potencial futura da floresta natural, originada pelas alterações climáticas, estima-se ser possível a expansão para zonas de maior altitude, onde as condições climáticas atuais são limitantes, possibilidade essa que é também confirmada pelo aumento esperado da produtividade primária.



A vulnerabilidade atual da floresta plantada a alterações na produtividade é negativa, devido à presença na ilha do Nemátodo da Madeira do Pinheiro, que afeta principalmente o pinheiro-bravo, a mais expandida espécie deste tipo de floresta, e que deverá conduzir a uma progressiva substituição por outra espécie no futuro. Para a restante floresta plantada, a vulnerabilidade seria neutra. Embora se estime um aumento potencial da produtividade primária para este tipo de floresta, a vulnerabilidade da floresta plantada, no longo prazo, a alterações na produtividade é muito negativa, devido sobretudo ao aumento futuro do risco meteorológico de incêndio na vertente sul. Os impactes indiretos resultantes dos incêndios, como a erosão do solo ou a degradação do estado sanitário das árvores sobreviventes, aumentam a sua suscetibilidade a pragas e doenças, e condicionam fortemente a produtividade primária.

A vulnerabilidade atual da floresta plantada a alterações na distribuição potencial é neutra, dado que não se verificam atualmente nenhuns fenómenos que a possam alterar. A presença do Nemátodo da Madeira do Pinheiro não constitui uma ameaça à floresta plantada, apenas a uma das suas espécies. A vulnerabilidade futura da distribuição potencial da floresta plantada às alterações climáticas é muito negativa no longo prazo, devido ao aumento do risco meteorológico de incêndio. Apesar de se estimar um aumento da área potencial, para zonas de maior altitude, o aumento do risco meteorológico de incêndio na vertente sul é um forte condicionante dessa expansão, não só pela eventual destruição dos povoamentos florestais, como também pelo desinvestimento na floresta que as constitui. Um outro fator que contribui para a vulnerabilidade negativa é o reduzido interesse económico pela floresta plantada na Madeira, que limita ainda mais a atratividade do investimento florestal e desincentiva à limpeza e manutenção da floresta.

A elevada presença de espécies lenhosas exóticas invasoras constitui uma das maiores ameaças às comunidades vegetais autóctones da Madeira. A vulnerabilidade atual a plantas invasoras exóticas é negativa, dada a sua expansão territorial atual.

A vulnerabilidade futura a espécies de plantas exóticas invasoras é muito negativa e os fatores que mais pesam nesta classificação são indiretos: a sua expansão territorial atual, que potencia a sua expansão futura; o aumento da produtividade primária líquida, que potencia o seu crescimento; e o risco de incêndio florestal, que potencia a sua expansão.

As pragas e doenças são fortemente influenciadas pelo clima, em particular a temperatura, por acelerar o seu desenvolvimento, pela precipitação e pela humidade, que é essencial para muitos agentes patogénicos. As alterações climáticas têm efeitos diretos no desenvolvimento, reprodução e sobrevivência destes organismos.

A vulnerabilidade atual a pragas e doenças é negativa, devido à presença do Nemátodo da Madeira do Pinheiro. A vulnerabilidade futura a pragas e doenças no longo prazo é muito negativa, uma vez que, no caso particular do Nemátodo do Pinheiro da Madeira, prevê-se o agravamento da sua patogenicidade devido às alterações climáticas e ao potencial efeito da temperatura sobre os organismos prejudiciais, em particular, os insetos vetores da doença.


Atualmente, já existem medidas no programa de apoio ao desenvolvimento rural que visam promover a defesa contra incêndios florestais, mas um Plano Regional de Defesa da Floresta Contra Incêndios poderia melhorar a eficácia dessas medidas. Por outro lado, podem ser consideradas medidas que visem, tanto o controlo das espécies invasoras e monitorização de pragas e agentes patogénicos florestais, como o planeamento florestal e a simplificação dos processos administrativos dos programas de apoio ao desenvolvimento e valorização do meio rural, sem prejuízo de outras medidas que possam ser consideradas.